betesda


notícias
Abril 30, 2007, 7:30 pm
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Queria muito escrever-lhe o que ele havia de querer ler. As boas notícias! Juntava as letras assim com muito carinho de modo a ocupar pouco espaço… Precisava de dar essas boas notícias o mais detalhadamente possível. Precisava de se sentir perto. A ansiedade de aguardar o resultado o dia inteiro dentro de si. Mais de mil vezes imaginou o que ia escrever. Mais de mil e uma viu o desenho das frases na sua cabeça. Por fim, quando chegou a hora, deixou-se levar e saiu-lhe o poema mais doce que alguma vez alguém teria escrito.
As boas notícias? Esqueceu-se!



fuso horário
Abril 27, 2007, 11:53 pm
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Sabes o que me apetecia?
Ir para um fuso horário onde ainda fosse ontem para não te deixar partir já. E amanhã seguiríamos para outro sítio onde fosse mais cedo. E depois… deixava-te ir quando, realmente, quisesses. Quando sentisses que era isso que querias fazer. Mas agora não. Agora é cedo.



deixa
Abril 26, 2007, 11:27 am
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Da finitude se faz força e desculpa para tudo. Uma brevidade que nunca se aceita, mas que se evoca a cada erro. E se o erro não fosse erro? Se há verdade. Se se sente. Se o estado é absolutamente incontrolável: viva-se! Aceite-se sem pensar. Algum dia a razão há-de perder… O lixo… vêm de noite buscá-lo em grandes viaturas barulhentas que passam devagar. Todos os dias. À mesma hora. E levam tudo!



luta
Abril 20, 2007, 10:25 am
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Era já tarde quando nos metemos no carro para te levar a casa. A chuva a adiar a chegada. O medo de não haver outro momento. A distracção nebulosa da mão na mão. Deixei-te seguro à porta de um prédio alto colado a muitos outros prédios altos que não conseguiria distinguir numa próxima vez…se houvesse próxima vez! Rumei a casa pelo caminho mais longo – precisava daquele tempo para reencontrar o registo normal de um dia de trabalho até altas horas. Sabia que me esperava o silêncio e o vazio, mas mesmo assim… passei um bâton num semáforo vermelho e arranquei calmamente, sem pressas, sem pressões, sem vontade.
Estranhei o toque tardio do telefone. Acarinhei a conversa fútil e breve. Tornei-a doce para mim. Cedi. Cedo mais cada noite que passa. Só. Sozinha. Só para mim. Entre vidas imaginárias que não irei viver, entre fantasias cruéis que implicam sempre um final infeliz… e protejo-me. Das tuas mãos, da tua voz, do olhar e da tua vida que é tão igual à minha.



Abril 19, 2007, 11:23 am
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Pegava no livro e lia-o pelos olhos dela. Entrava na sua alma. Sabia quando se delinearia um sorriso, quando o aborrecimento, eventualmente, a faria apagar a luz e dormir.
Ligava a TV e via-a pelos olhos dela. Escolhia a sua série preferida e sentia cada afinidade que ela sentiria.
Entrava no carro e conduzia como ela: ligava o rádio na sua estação preferida e cantava todas as melodias que a tocam, que a fazem estar viva… Seria isto o Amor?



dúvida
Abril 18, 2007, 3:39 pm
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E se, de repente, todas as estórias que escrevemos se realizassem mesmo?



Abril 17, 2007, 1:19 pm
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Mais do que indiferença, mas menos que felicidade. Segurar. Encontrar equilíbrios num trapézio. Aguardar. Fingir a morte quando se adensa a intriga. Sentir. Momentos gravados em quadros brancos que se apagarão com o tempo. Sonhar. É proibido. Um contrato com prazo certo para acabar.



dilema
Abril 11, 2007, 10:31 am
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A pressão para fazer a coisa certa. Pouca flexibilidade no pensamento. Talvez por isso fosse um solitário assumido – o gajo do mau feitio. Mas há sempre aquele dia em nos obrigam a pensar melhor: a ponderar se não será melhor fazer a coisa errada e ceder à facilidade. O prazer do corpo a desenhar-se-lhe na cabeça e ele sem o conseguir afastar. O desfalque que lhe traria uma vida de sonho… Assim, tudo de uma vez só!
Não cedeu. Denunciou. Amargurou-se durante muitos dias. Ficou mais solitário e não fez ninguém feliz. Nem ele próprio!



medo
Abril 4, 2007, 3:01 pm
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Há um cheiro a frio que nos desbasta os sentidos e nos faz encolher os músculos permanentemente. Não é só do frio. Há o medo, a incerteza do futuro mais próximo – do amanhã. Como se a vida nos tivesse para surpreender a qualquer momento e nós não quiséssemos mais nada de novo. Ou quiséssemos e não soubéssemos como aceitar essa dádiva senão encolhendo-nos, contraíndo cada pedaço de carne e de sentimento. Se o calor nos invadisse agora, continuaríamos gelados. Porque assim é que tem que ser!



vírgula
Abril 2, 2007, 10:35 pm
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Que mais se pode querer da vida do que um homem que, ao escrever, coloque as vírgulas no sítio certo?!