Arquivado em: ficção
Era já tarde quando nos metemos no carro para te levar a casa. A chuva a adiar a chegada. O medo de não haver outro momento. A distracção nebulosa da mão na mão. Deixei-te seguro à porta de um prédio alto colado a muitos outros prédios altos que não conseguiria distinguir numa próxima vez…se houvesse próxima vez! Rumei a casa pelo caminho mais longo – precisava daquele tempo para reencontrar o registo normal de um dia de trabalho até altas horas. Sabia que me esperava o silêncio e o vazio, mas mesmo assim… passei um bâton num semáforo vermelho e arranquei calmamente, sem pressas, sem pressões, sem vontade.
Estranhei o toque tardio do telefone. Acarinhei a conversa fútil e breve. Tornei-a doce para mim. Cedi. Cedo mais cada noite que passa. Só. Sozinha. Só para mim. Entre vidas imaginárias que não irei viver, entre fantasias cruéis que implicam sempre um final infeliz… e protejo-me. Das tuas mãos, da tua voz, do olhar e da tua vida que é tão igual à minha.
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Gostei, apareço aqui vindo pelo Jorge, boas palavras… um abraço…
Comentário por Juda Abril 29, 2007 @ 3:08 amObrigada!
Comentário por betesda Abril 30, 2007 @ 10:41 am