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Às vezes tenho medo de mim, de como olho para as coisas, de como o pânico de uma ruína me pode paralisar. Não seria sensato pensar obsessivamente em nada e não o faço… apenas e só porque aprendi a dominar-me. Há, no entanto, assuntos que me ultrapassam e esses gosto de explorar até não me vir mais nenhuma hipótese à cabeça! Pode ter sido assim que fui conhecendo os que me rodeiam, mas também a mim. E isso já ninguém me pode tirar. Se gosto do que vejo quando me olho no espelho? Depende da hora! Mas tirando uns pequenos traços que me vão circundando os olhos, estou bem! Não me detenho o tempo suficiente para encontrar mais imperfeições – também aprendi esta defesa! Se sou completamente honesta? Depende das pessoas! Se merecem ou não! Se isto é tudo verdade? Claro que não! É apenas um exercício tolo para preencher um tempo vazio… cada vez mais vazio e menos suportável!
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Ele gosta quando, com a voz quase apagada, ela lhe diz as meias palavras que só escondem a mais poderosa. A aventura está no saber desfiar o tom e reconhecer o olhar… Apercebe-se do despudor, da entrega… Apercebe-se das fragilidades que deixaram de se tentar esconder: não vale a pena!
Ela gosta quando, com o olhar iluminado, ele a sente completa, sem esconderijos, só com a verdade! E é só verdade!
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Não sei o momento exacto, mas sei que o mundo mudou. Onde havia indolência passou a haver prontidão. Os sentidos apuraram-se e tudo ficou diferente.
E, pela primeira vez, as palavras faltam… um amor assim não se traduz!
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Somos várias dimensões.
Talvez por isso o encantamento perdure e se reforce.
Todos os dias.
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Escrever é sentir duas vezes. É, talvez, a forma mais fácil de retirar do coração os pensamentos e as palavras que se colam infinitamente. As palavras fluem melhor no teclado do que na boca. Os sons reduzem-se a pequenas batidas ritmadas e nada magoa menos do que isso. Olho as palavras, sinto-as e sinto tudo o que elas significam: o bom e o mau. O verdadeiro drama é quando até para escrever nos falta a força, ou melhor, a coragem. Descobrimos qualquer coisa nova em nós que desconhecíamos até então. Mais vale dormir. Mais vale deixar o tempo fazer o seu papel. E depois, só depois, escrever.
recuperado daqui
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Como água que nasce
natural
das entranhas da terra
e toma vários rumos até encontrar o leito definido e certo
para correr até ao mar…