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Como água que nasce
natural
das entranhas da terra
e toma vários rumos até encontrar o leito definido e certo
para correr até ao mar…
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O corpo habitua-se às rotinas menos convencionais. Pode queixar-se ao início, mas depois aceita o lhe é dado. Há quem desista de comer. Há quem se exercite demais. Há quem faça da gula o seu pecado maior… e ainda assim, o corpo mantém-se vivo e activo. No amor também.
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O tempo passa. Baralha e dá de novo. Não se pode adivinhar o que vem a seguir. Desenvolve-se uma disponibilidade mental para a aceitação. Deixa-se a angústia adolescente da antecipação, da ansiedade – só assim se crescerá! Só assim se poderá viver: acolhendo a beleza do tempo que não podemos parar!
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Perder o pé. Ou perder a mão. Aos acontecimentos. Ao destino que se desenrola à nossa frente sem que o possamos parar. Ao contrário do habitual tudo flui. Sensação estranha. Lidar com momentos felizes desgasta. Falta de hábito. Gestão complexa de um optimismo que nasceu algures, há muito pouco tempo. Corre-se até o risco de ficar sem assunto para escrever… As coisas boas nunca deram grandes prosas! O medo, a dúvida, a luta, os dilemas são memórias de incertezas que, invariavelmente, acabariam por se tornar em doses de pequenos sofrimentos. Hoje há, pelo menos, uma certeza! E é mais do que alguma vez esta vida assistiu!…
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Propõe-se descobrir tudo. Quer saber como é! Esgotar todas as hipóteses! Passar por várias vidas para saber qual é a sua, afinal. Negar princípios. Escolher errado para chegar ao mais certo: certo de certeza! Mesmo que se abalem fundações, mesmo que haja sofrimento é preciso experimentar para saber como é. E nessas deambulações perigosas nunca se questiona. Aceita apenas. Tem fé que o melhor vai chegar e ficar. Para sempre!
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Queria muito escrever-lhe o que ele havia de querer ler. As boas notícias! Juntava as letras assim com muito carinho de modo a ocupar pouco espaço… Precisava de dar essas boas notícias o mais detalhadamente possível. Precisava de se sentir perto. A ansiedade de aguardar o resultado o dia inteiro dentro de si. Mais de mil vezes imaginou o que ia escrever. Mais de mil e uma viu o desenho das frases na sua cabeça. Por fim, quando chegou a hora, deixou-se levar e saiu-lhe o poema mais doce que alguma vez alguém teria escrito.
As boas notícias? Esqueceu-se!
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Da finitude se faz força e desculpa para tudo. Uma brevidade que nunca se aceita, mas que se evoca a cada erro. E se o erro não fosse erro? Se há verdade. Se se sente. Se o estado é absolutamente incontrolável: viva-se! Aceite-se sem pensar. Algum dia a razão há-de perder… O lixo… vêm de noite buscá-lo em grandes viaturas barulhentas que passam devagar. Todos os dias. À mesma hora. E levam tudo!
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E se, de repente, todas as estórias que escrevemos se realizassem mesmo?
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A pele. Suave. A ruborizar ao toque conciso de um dedo. Apenas o dedo deixa a marca. Apenas o toque cria a repulsa e a vontade de a combater. Pode amar-se pela pele? Não, mas pode desejar-se. Muito. Sentir o sangue fluir intensamente pelo corpo desfeito. O coração a acelerar e as narinas a dilatar. A exprimir o desejo da pele com a pele. Do corpo com o corpo. Desfeitos, mas insistentes no exercício do que o amor implica.
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São os inícios que mais excitam as pessoas. Em tudo. Depois torna-se comodismo, vício ou exibicionismo. Um blog também é isso tudo e vamos ver que mais…