betesda


tv
Março 29, 2007, 3:00 pm
Filed under: ficção

Da pequena caixa que mudou o mundo apenas o som lhe interessa. Pode ser solidão. Recusa-se a ver. Ouve apenas. Reconhece algumas vozes, mas em geral consegue imaginar a sua própria história. Como se fosse um livro onde as personagens têm o rosto que ele quer…

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longe
Março 28, 2007, 4:12 pm
Filed under: ficção

A angústia à noite a fazê-los esperar pelo que não podem ter. Estar longe é pior que estar distante, diz ela. Ele faz, propositadamente, a pausa dramática e acrescenta que do longe se faz perto….quando se deseja muito. Mas por muito que se deseje nunca se pode amar o corpo ausente…



rios
Março 27, 2007, 11:23 am
Filed under: realidade

Não gosto dos rios, mas gosto das margens.



chefe
Março 26, 2007, 3:53 pm
Filed under: ficção

Deram-lhe o lugar. Parecia honesto e capaz de aguentar a pressão. O tempo declarou-o mentiroso, déspota na sua insignificância e cruel. Pior: dissimulado, manipulador e incapaz de ser apanhado em falso. Ou talvez fosse, mas a política ainda conta e, ali, ser do partido é como ser do benfica ou coisa pior… Mantém-se, acima de todos os apolíticos, ignorantes que não sabem subir na vida. Mantém-se no topo de uma hierarquia fictícia onde na rua ao lado já ninguém sabe quem ele é. Mas está lá… ele e tantos outros!



quente
Março 25, 2007, 6:02 pm
Filed under: mix

Quente fico no teu colo.
Breve, belo e inesperado.
Um toque esquecido entre gin tónicos e muito gelo.
Regressar é bom.
Melhor é regressar onde não sabíamos que íamos voltar.

Quente é a palavra que salta dos dedos, é o olhar que se fixa em qualquer lugar… a excitação dupla da pele e dos sentidos.
Sentir apenas.
Podemos ser dois ou mais em busca de uma mesma coisa, mas quando encontramos a temperatura calma, o peito branco e cheio, a mão apertada na nossa… somos só nós.
Um demónio ou outro dentro do armário que se dissolve no ápice do primeiro beijo.
E nós.
A tentar segurar o chão.
A tentar abafar o grito mutante entre a dor, o espanto e o prazer… Resistir ainda era possível!

Quente fiquei no colo que era teu e depois, de sorriso nos lábios, saí.



livro
Março 22, 2007, 11:23 am
Filed under: ficção

Abro e fecho este livro de contos breves sem ser capaz de o ler. Está aqui. Na mão que foi descanso dos dias calmos. Inicio um parágrafo e logo me encho de nojo. Cada palavra é um tiro que me podia matar. Eu não quero morrer. Quero ler o livro. Quero ler que vida será capaz de me fazer voltar.



olhos
Março 21, 2007, 9:15 pm
Filed under: mix

São estes os olhos urbanos que rasgam a figura e a esmagam sem piedade. Não entendem como crescem as alfaces nem os frangos. Não sonham com a leve água no regato que corre em direcção sabe-se lá onde. Querem o betão. O dióxido de carbono. As intermináveis bichas de carros. E, sobretudo, o anonimato da cidade grande. A suprema liberdade de não ser ninguém entre tantos outros. O sexo casual. A possibilidade de desaparecer e não ser encontrado… Assim, são os meus olhos. Assim, sou eu!