betesda


Março 30, 2009, 4:58 pm
Filed under: betesda, ficção, mix

Tomou um lexotan e enfiou-se na cama. Evitava a todo custo magoar-se. As mágoas estão nos pequenos gestos e descobertas que se fazem sem querer. Inadvertidamente escutou uma conversa menos própria. E escondeu-se. No seu refúgio de sempre. Uma cama que assistira à passagem de várias vidas. Todas dele. Todas vidas num desfile de outras pequenas mágoas. Não sabia o que era sofrer. Isso evita-se! Escondemo-nos e seguimos como sempre e como nunca.

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quente
Março 25, 2007, 6:02 pm
Filed under: mix

Quente fico no teu colo.
Breve, belo e inesperado.
Um toque esquecido entre gin tónicos e muito gelo.
Regressar é bom.
Melhor é regressar onde não sabíamos que íamos voltar.

Quente é a palavra que salta dos dedos, é o olhar que se fixa em qualquer lugar… a excitação dupla da pele e dos sentidos.
Sentir apenas.
Podemos ser dois ou mais em busca de uma mesma coisa, mas quando encontramos a temperatura calma, o peito branco e cheio, a mão apertada na nossa… somos só nós.
Um demónio ou outro dentro do armário que se dissolve no ápice do primeiro beijo.
E nós.
A tentar segurar o chão.
A tentar abafar o grito mutante entre a dor, o espanto e o prazer… Resistir ainda era possível!

Quente fiquei no colo que era teu e depois, de sorriso nos lábios, saí.



olhos
Março 21, 2007, 9:15 pm
Filed under: mix

São estes os olhos urbanos que rasgam a figura e a esmagam sem piedade. Não entendem como crescem as alfaces nem os frangos. Não sonham com a leve água no regato que corre em direcção sabe-se lá onde. Querem o betão. O dióxido de carbono. As intermináveis bichas de carros. E, sobretudo, o anonimato da cidade grande. A suprema liberdade de não ser ninguém entre tantos outros. O sexo casual. A possibilidade de desaparecer e não ser encontrado… Assim, são os meus olhos. Assim, sou eu!